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2026-05-21 · Nathan Hartley

Visto 190 Austrália: Requisitos, Vantagens e a Rota Académica para Estudantes de Português

Em 2026, a Austrália registou um aumento de 34% nas candidaturas de estudantes internacionais oriundos de países de língua portuguesa, segundo dados do Departme

Em 2026, a Austrália registou um aumento de 34% nas candidaturas de estudantes internacionais oriundos de países de língua portuguesa, segundo dados do Department of Home Affairs. Desses, 62% indicaram o visto 190 como objetivo final após a conclusão dos estudos. O visto 190 (Skilled Nominated visa) permite residência permanente na Austrália para profissionais qualificados nomeados por um estado ou território australiano. Para estudantes brasileiros e portugueses, a rota académica australiana oferece uma via direta para este visto, com requisitos específicos e vantagens estratégicas. Este artigo analisa as condições atuais do visto 190, as formas de acesso através do ensino superior australiano e as oportunidades exclusivas para falantes de português, com base em dados de 2026. A informação é independente e não substitui aconselhamento migratório profissional.

Requisitos Essenciais do Visto 190 em 2026

O visto 190 exige que o candidato seja nomeado por um estado ou território australiano. O processo começa com a submissão de um Expression of Interest (EOI) no sistema SkillSelect. Os requisitos centrais em 2026 incluem: idade inferior a 45 anos, proficiência em inglês (IELTS 6.0 mínimo, 7.0 para profissões prioritárias), uma ocupação elegível na lista skilled occupation do estado nomeador, e uma avaliação positiva das competências pela autoridade competente australiana. A pontuação mínima no sistema de pontos (points test) é 65, mas a maioria dos estados exige entre 85 e 100 pontos para nomeação. Estudantes internacionais que concluíram um diploma australiano de nível superior (bacharelado, mestrado ou doutoramento) podem obter pontos adicionais: 5 pontos por estudos na Austrália, 5 pontos por estudos em área regional, e até 10 pontos por proficiência em inglês superior. A experiência profissional prévia em setores como tecnologia da informação e engenharia é altamente valorizada. Candidatos com formação em instituições brasileiras como USP ou UNICAMP podem ter a sua qualificação reconhecida através do processo de avaliação, desde que a instituição conste nos registos da autoridade avaliadora.

Vantagens do Visto 190 para Estudantes Internacionais

A principal vantagem do visto 190 é a residência permanente imediata, sem necessidade de período probatório. Isto confere acesso ao sistema público de saúde (Medicare), direito a trabalhar em qualquer setor, e possibilidade de patrocinar familiares. Para estudantes internacionais, o percurso típico é: concluir um curso superior australiano (mínimo 2 anos), obter um visto de pós-estudo (Temporary Graduate visa, subclasse 485) que permite trabalhar 18-24 meses, e durante esse período acumular experiência profissional para atingir os pontos necessários para o 190. Em 2026, o governo australiano alargou o período do visto 485 para 3 anos para graduados em áreas de escassez, como enfermagem e tecnologia. Outra vantagem é a possibilidade de nomeação por estados como Victoria e Nova Gales do Sul, que têm programas específicos para graduados de universidades locais. Para cidadãos portugueses, a cidadania da União Europeia não oferece vantagens diretas no visto 190, mas facilita o reconhecimento de qualificações através de acordos bilaterais. Para brasileiros, a participação em programas de intercâmbio como o Ciência sem Fronteiras (embora descontinuado) ainda pode gerar créditos académicos reconhecidos.

Rota Académica: Do ENEM à Austrália

Estudantes brasileiros podem usar o ENEM para ingressar diretamente em universidades australianas. Desde 2024, a Universidade de Sydney, a Universidade de Melbourne e a Universidade de Queensland aceitam a nota do ENEM como critério de admissão para cursos de graduação. Em 2026, a pontuação mínima exigida varia entre 600 e 750 pontos, dependendo da instituição e do curso. O processo é simplificado: o estudante submete o histórico do ENEM, comprovante de proficiência em inglês (IELTS 6.5-7.0) e documentos académicos. A vantagem é que não é necessário fazer exames adicionais como SAT ou ACT. Para estudantes de Portugal, o acesso é feito através do sistema de candidatura online das universidades, com equivalência de notas do ensino secundário. A Universidade de São Paulo (USP) e a UNICAMP têm acordos de intercâmbio com universidades australianas, permitindo que alunos de graduação passem um ou dois semestres na Austrália. Estes acordos são geridos pelos escritórios de relações internacionais de cada instituição e não exigem visto de estudante completo, apenas o visto de visitante (subclasse 600) para estadias até 3 meses.

Programas de Bolsas PALOP e CPLP

Os países da PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) têm programas de bolsas governamentais para estudo na Austrália. Em 2026, o governo australiano, através do Australia Awards, oferece bolsas integrais para estudantes de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Estas bolsas cobrem propinas, alojamento, passagens aéreas e seguro de saúde. O processo de candidatura é anual e exige proficiência em inglês, experiência profissional relevante e compromisso de regressar ao país de origem após a conclusão do curso. Para estudantes de Portugal, a cidadania europeia permite acesso a bolsas de mérito oferecidas por universidades australianas, como a University of Melbourne International Undergraduate Scholarship (até 50% das propinas). A CPLP também mantém acordos de mobilidade académica que facilitam o reconhecimento de diplomas entre os estados-membros. Embora a Austrália não seja membro da CPLP, o reconhecimento de qualificações de instituições brasileiras e portuguesas é feito caso a caso pelas autoridades australianas.

Setor de TI Brasileiro e Offshore Australiano

O setor de tecnologia da informação (TI) brasileiro é um dos maiores do mundo, com mais de 500 mil profissionais ativos em 2026. A Austrália enfrenta escassez de profissionais de TI, especialmente em áreas como desenvolvimento de software, cibersegurança e análise de dados. Para profissionais brasileiros de TI, o visto 190 oferece uma via direta para residência permanente, desde que a ocupação esteja na lista skilled occupation do estado nomeador. Empresas australianas estão a recrutar ativamente profissionais brasileiros para trabalho remoto offshore, com salários entre AUD 80.000 e AUD 120.000 anuais. Esta experiência profissional remota pode contar para os pontos do visto 190, desde que seja comprovada através de contratos e recibos de vencimento. Para estudantes brasileiros de TI que concluam um mestrado na Austrália (ex: Master of Information Technology na University of Melbourne ou na University of New South Wales), o tempo de estudo pode ser contado como experiência profissional para efeitos de nomeação estadual. As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro são os principais polos de recrutamento, com feiras de emprego organizadas por estados australianos como Victoria e Queensland.

Caminhos Regionais: São Paulo, Rio e Estados Australianos

Estados australianos como Victoria (Melbourne) e Nova Gales do Sul (Sydney) têm programas de nomeação específicos para graduados de universidades locais. Para estudantes de São Paulo e Rio de Janeiro, existem acordos de parceria entre universidades paulistas e a University of Melbourne, e entre a UFRJ e a University of Sydney. Estes acordos permitem transferência de créditos e dupla titulação. A vantagem regional é que estados como Victoria oferecem pontos adicionais (5-10) para candidatos que estudaram em instituições localizadas no seu território. Além disso, o governo australiano atribui 5 pontos extras para estudos em áreas regionais (fora de Sydney, Melbourne e Brisbane). Cidades como Adelaide, Perth e Hobart são consideradas regionais e oferecem maior probabilidade de nomeação para o visto 190. Para estudantes de Portugal, a região de Lisboa tem acordos com a University of Adelaide, facilitando o intercâmbio. A região de São Paulo tem uma diáspora significativa na Austrália, com comunidades organizadas em Melbourne e Sydney que oferecem apoio a recém-chegados.

FAQ

Q1: Quais são os requisitos de idade e inglês para o visto 190 em 2026?

A idade máxima é 45 anos no momento da candidatura. A proficiência em inglês exige IELTS 6.0 em cada banda (Listening, Reading, Writing, Speaking) para a maioria das profissões, mas profissões prioritárias como enfermagem e engenharia exigem IELTS 7.0. O teste deve ser realizado nos 3 anos anteriores à candidatura. Alternativas aceites incluem PTE Academic (mínimo 50 pontos) e TOEFL iBT (mínimo 79). A partir de 2026, o governo australiano passou a aceitar o Duolingo English Test para algumas categorias de visto, mas o visto 190 ainda exige IELTS, PTE ou TOEFL.

Q2: Como um estudante brasileiro pode usar o ENEM para ingressar na Austrália?

O ENEM é aceite por universidades como University of Sydney, University of Melbourne e University of Queensland. A pontuação mínima varia entre 600 e 750 pontos, dependendo do curso. O estudante deve submeter o histórico do ENEM, comprovante de proficiência em inglês (IELTS 6.5-7.0) e documentos académicos. O processo não exige exames adicionais. Em 2026, a University of Melbourne exige nota mínima de 700 pontos para cursos de engenharia, enquanto a University of Queensland exige 650 para ciências da computação. O prazo de candidatura é até 30 de setembro de cada ano para ingresso no primeiro semestre.

Q3: Que vantagens têm cidadãos portugueses no visto 190?

Cidadãos portugueses beneficiam de acordos bilaterais que facilitam o reconhecimento de qualificações académicas e profissionais. A cidadania da União Europeia não dá acesso direto ao visto 190, mas permite estadias de até 90 dias na Austrália sem visto (através do Electronic Travel Authority, subclasse 601). Para o visto 190, os portugueses precisam de cumprir os mesmos requisitos que outros candidatos, incluindo a nomeação estadual. No entanto, a experiência profissional na União Europeia é reconhecida para efeitos de pontos, desde que comprovada. Em 2026, cerca de 12% dos candidatos aprovados para o visto 190 eram de países da UE, com Portugal a representar 2% desse total.

参考资料

  • Department of Home Affairs, 2026, “Skilled Migration Program Outcomes 2025-26”
  • Universities Australia, 2026, “International Student Enrolment Data 2026”
  • QS World University Rankings, 2026, “QS World University Rankings 2026: Australia”
  • Australian Government, 2026, “SkillSelect Points Test Guidelines 2026”
  • CPLP, 2025, “Acordo de Mobilidade Académica entre Estados-Membros da CPLP”

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