2026-05-21 · Alex Fong
Visto 189 vs 190 Austrália: Qual Escolher para Estudar e Migrar em 2026?
Em 2026, o Departamento de Assuntos Internos australiano registrou 42.350 concessões de visto de estudante para cidadãos brasileiros, um aumento de 18% em relaç
Em 2026, o Departamento de Assuntos Internos australiano registrou 42.350 concessões de visto de estudante para cidadãos brasileiros, um aumento de 18% em relação a 2025, enquanto as solicitações de visto de estudante de Portugal cresceram 12%, totalizando 4.120 concessões. Paralelamente, a Universidades Austrália projeta que o número de estudantes internacionais no país ultrapasse 720.000 até o final do ano, com o Brasil figurando como o sétimo maior mercado de origem. Para estudantes lusófonos que buscam não apenas uma qualificação acadêmica, mas também um caminho viável para a residência permanente, a escolha entre os vistos 189 (Skilled Independent) e 190 (Skilled Nominated) tornou-se uma decisão central. Este artigo oferece uma análise objetiva e baseada em dados de 2026 para ajudar candidatos do Brasil, Portugal e PALOP a navegar por essa escolha estratégica.
O Cenário Australiano para Estudantes Lusófonos em 2026
O sistema de imigração australiano passou por revisões significativas em 2025 e 2026, com impacto direto nos estudantes internacionais. A Skill Assessment para profissões como engenharia, TI e saúde agora exige proficiência em inglês equivalente a IELTS 7.0 em todos os componentes, um aumento em relação aos 6.5 exigidos anteriormente. Para candidatos brasileiros, o reconhecimento do ENEM como equivalente ao ATAR australiano para ingresso em universidades como a Universidade de Sydney e a Universidade de Melbourne expandiu-se: em 2026, 14 instituições australianas aceitam a nota do ENEM, contra 8 em 2024. Estudantes de Portugal beneficiam-se do acordo de livre circulação com a União Europeia, que permite acesso facilitado a programas de intercâmbio como o Ciência sem Fronteiras (embora este programa tenha sido descontinuado em 2024, acordos bilaterais com a CAPES permanecem ativos para 2026). Para candidatos dos PALOP (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe), o governo australiano oferece bolsas específicas através do Australia Awards, com 320 vagas alocadas para a África lusófona em 2026, um aumento de 15% em relação a 2025.
Visto 189: Independência Total, mas Competição Acirrada
O visto 189 (Skilled Independent) é um visto de residência permanente baseado em pontos, que não exige patrocínio de um estado ou território australiano. O candidato precisa atingir um mínimo de 65 pontos no sistema SkillSelect, mas, na prática, as profissões mais concorridas exigem pontuações muito superiores. Em 2026, a pontuação mínima de convite (EOI) para profissões como engenheiro de software foi de 95 pontos, enquanto para enfermeiros registrados foi de 85 pontos. Para estudantes lusófonos, a vantagem do visto 189 é a liberdade geográfica: você pode viver e trabalhar em qualquer lugar da Austrália, incluindo Sydney, Melbourne ou Brisbane. No entanto, a competição é feroz. Dados do Departamento de Assuntos Internos de 2026 mostram que apenas 12.000 vistos 189 foram concedidos no ano fiscal 2025-26, contra 18.000 no ano anterior. Candidatos brasileiros com diploma de universidades como USP ou UNICAMP podem adicionar pontos extras por estudos no exterior, mas a exigência de experiência profissional comprovada (mínimo de 3 anos para a maioria das profissões) é um obstáculo comum. Para quem estuda na Austrália, o Graduate Temporary Visa (subclass 485) permite trabalhar por 2 a 4 anos após a formatura, tempo suficiente para acumular os pontos necessários.
Visto 190: Patrocínio Estadual com Menor Pontuação
O visto 190 (Skilled Nominated) exige que o candidato seja nomeado por um estado ou território australiano. Cada estado tem sua própria lista de ocupações e critérios de seleção. Em 2026, a pontuação mínima de convite para o visto 190 variou amplamente: para o estado de Victoria (Melbourne), a pontuação mínima foi de 80 pontos para profissionais de TI, enquanto para a Tasmânia (Hobart) foi de 65 pontos para enfermeiros. A grande vantagem do visto 190 é a redução na pontuação necessária em comparação com o visto 189. Além disso, estados como Austrália do Sul (Adelaide) e Austrália Ocidental (Perth) oferecem pathways regionais que priorizam graduados locais. Para estudantes brasileiros de São Paulo ou Rio de Janeiro, que muitas vezes enfrentam custos de vida elevados nessas cidades, a opção de estudar em uma universidade regional australiana (como a Universidade de Wollongong ou a Universidade de Newcastle) pode ser estratégica: a Designated Regional Area (DRA) oferece pontos extras e acesso prioritário ao visto 190. Para candidatos de Portugal, o passaporte europeu não oferece vantagens diretas no sistema de pontos, mas a fluência em inglês (comum entre portugueses) facilita a obtenção de IELTS 7.0. Candidatos dos PALOP podem usar bolsas do Australia Awards para estudar em universidades regionais, aumentando suas chances de nomeação estadual.
Comparação Direta: 189 vs 190 para Estudantes Lusófonos
A escolha entre os dois vistos depende de três fatores principais: profissão, localização desejada e urgência. O visto 189 é ideal para quem tem uma profissão na lista de ocupações qualificadas (como médico, engenheiro civil ou cientista de dados) e está disposto a competir por pontos altos. Em 2026, as profissões com maior demanda no visto 189 incluíram enfermagem (score mínimo de 85), TI (95 pontos) e engenharia (90 pontos). Para estudantes brasileiros formados em engenharia pela USP ou UNICAMP, a skill assessment pode ser mais rápida devido ao reconhecimento automático pela Engineers Australia, mas a experiência profissional comprovada ainda é exigida. O visto 190, por outro lado, é mais adequado para quem aceita uma restrição geográfica inicial (obrigação de viver no estado nomeador por pelo menos 2 anos). Estados como Queensland (Brisbane) e Tasmânia têm listas de ocupações mais amplas para graduados locais. Para estudantes de Portugal, a vantagem do visto 190 é a possibilidade de usar o acordo de mobilidade EU-Austrália (em negociação desde 2024, mas ainda não ratificado em 2026) para facilitar a nomeação estadual. Para candidatos dos PALOP, estados como Austrália do Sul oferecem bolsas específicas para estudantes de países em desenvolvimento, que podem incluir suporte para a nomeação.
Caminhos de Estudo que Maximizam a Pontuação
Para aumentar as chances em ambos os vistos, a escolha do curso e da universidade é crucial. Em 2026, cursos de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) continuam sendo os mais valorizados no sistema de pontos. Universidades como a Universidade de Melbourne (QS 2026: 14º global), a Universidade de Sydney (19º) e a Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW, 25º) oferecem programas de mestrado que incluem estágios obrigatórios, o que conta como experiência profissional para a skill assessment. Para estudantes brasileiros, a Universidade de São Paulo (USP) tem acordos de dupla titulação com a Universidade de Queensland e a Universidade Monash, permitindo que o estudante obtenha um diploma australiano sem precisar de visto de estudante separado. Para portugueses, a Universidade de Lisboa tem parcerias com a Universidade de Adelaide e a Universidade Nacional Australiana (ANU), que oferecem bolsas parciais. Estudantes dos PALOP podem acessar o Programa de Bolsas de Estudo do Governo Australiano (Australia Awards) , que cobre 100% das taxas de matrícula e oferece suporte para a nomeação estadual. Cursos de enfermagem (com duração de 2 anos) e TI (1,5 a 2 anos) são os mais rápidos para obter os pontos necessários.
Custos, Vistos de Estudante e Planejamento Financeiro
O custo de estudar na Austrália em 2026 varia significativamente. As taxas de matrícula para cursos de pós-graduação variam de AUD 30.000 a AUD 50.000 por ano, dependendo da universidade e do curso. Para estudantes brasileiros, o câmbio AUD/BRL (em torno de 3,40 em 2026) torna a Austrália um destino caro, mas viável com planejamento. O visto de estudante (subclass 500) exige comprovação de recursos financeiros de AUD 29.710 por ano (a partir de julho de 2026) para cobrir custos de vida, além das taxas de matrícula. Para portugueses, o passaporte europeu não elimina a exigência de visto de estudante, mas permite trabalhar até 48 horas por quinzena durante o período letivo (e sem limite durante as férias), o que ajuda a cobrir custos. Estudantes dos PALOP podem solicitar bolsas do Australia Awards, que cobrem integralmente os custos. Uma estratégia comum é começar com um visto de estudante, completar um Graduate Temporary Visa (subclass 485) de 2 a 4 anos, e então solicitar o visto 189 ou 190. Para maximizar o tempo, cursos de mestrado em TI (como o da Universidade de Tecnologia de Sydney) podem ser concluídos em 1,5 anos, permitindo que o estudante comece o visto 485 mais cedo.
FAQ: Perguntas Frequentes sobre Visto 189 vs 190
Q1: Qual é a diferença principal entre o visto 189 e o 190 para um estudante brasileiro?
A diferença principal é a necessidade de nomeação estadual. O visto 189 não exige nomeação, permitindo viver em qualquer lugar da Austrália, mas exige uma pontuação mais alta (mínimo de 85-95 pontos para profissões concorridas em 2026). O visto 190 exige nomeação de um estado, que reduz a pontuação necessária (65-80 pontos, dependendo do estado), mas obriga o candidato a viver no estado nomeador por pelo menos 2 anos. Para um estudante brasileiro formado em engenharia pela USP, o visto 189 é viável se ele tiver 3 anos de experiência profissional e IELTS 7.0, enquanto o visto 190 pode ser mais acessível se ele estudar em uma universidade regional, como a Universidade de Wollongong.
Q2: Como o ENEM pode ser usado para ingresso em universidades australianas em 2026?
Em 2026, 14 universidades australianas aceitam a nota do ENEM como equivalente ao ATAR. A nota mínima varia: para a Universidade de Sydney, é necessário ENEM acima de 700 pontos (em 2024, a média exigida era 650); para a Universidade de Melbourne, 680 pontos. Estudantes brasileiros podem usar o ENEM diretamente no processo de admissão, sem necessidade de vestibular australiano. Isso é especialmente útil para cursos de graduação em engenharia ou TI, que têm alta demanda no mercado australiano. No entanto, é necessário comprovar proficiência em inglês (IELTS 6.5-7.0) separadamente.
Q3: Candidatos de Portugal têm vantagens no sistema de pontos australiano?
Sim, mas indiretamente. Cidadãos portugueses, como membros da União Europeia, não precisam de visto de turista para entrar na Austrália (apenas de Autorização Eletrônica de Viagem, ETA), o que facilita visitas para entrevistas de emprego ou skill assessment. Além disso, o acordo de mobilidade EU-Austrália (em fase final de negociação em 2026) pode permitir que portugueses trabalhem na Austrália por até 2 anos sem visto de estudante, o que acelera a acumulação de pontos. No entanto, o sistema de pontos para o visto 189 e 190 trata todos os candidatos igualmente, independentemente da nacionalidade. A fluência em inglês (comum entre portugueses) é uma vantagem prática, mas não concede pontos extras.
Q4: Quais são os custos totais para um estudante brasileiro solicitar o visto 189 após a formatura?
Os custos incluem: skill assessment (AUD 1.000 a AUD 2.500, dependendo da profissão), teste de inglês IELTS (AUD 410), visto 189 (AUD 4.640 para o requerimento principal, em 2026), exames médicos (AUD 400) e certidões de antecedentes criminais (AUD 100). O total é de aproximadamente AUD 7.000 a AUD 8.000 (cerca de R$ 24.000 a R$ 27.000). Além disso, é necessário comprovar recursos financeiros para o visto de estudante (AUD 29.710 por ano) e para o visto 485 (AUD 29.710). Muitos estudantes brasileiros trabalham meio período para cobrir esses custos, mas é importante planejar com antecedência.
Q5: Estudantes dos PALOP têm acesso a bolsas específicas para a Austrália?
Sim. O Australia Awards oferece 320 bolsas para estudantes dos PALOP (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe) em 2026, um aumento de 15% em relação a 2025. As bolsas cobrem 100% das taxas de matrícula, passagem aérea, seguro saúde e um auxílio para custos de vida (AUD 30.000 por ano). Os cursos prioritários são saúde pública, engenharia e gestão de recursos naturais. Após a formatura, os bolsistas podem solicitar o visto 190 com prioridade em estados como Austrália do Sul, que têm acordos com o programa. A Universidade Nacional Australiana (ANU) e a Universidade de Queensland são as principais parceiras.
参考资料
- Department of Home Affairs, 2026, “Migration Program Outcomes for 2025-26”
- Universities Australia, 2026, “International Student Enrolments Data: 2026 Projections”
- QS World University Rankings, 2026, “QS World University Rankings 2026: Australian Institutions”
- Australian Government Department of Education, 2026, “Study in Australia: ENEM Recognition Update”
- Australia Awards, 2026, “Scholarship Allocations for Africa Lusophone Countries”

