2026-05-21 · Alex Fong
UTS vs RMIT: Qual é Melhor para Engenharia? Análise Completa 2026
A escolha entre a University of Technology Sydney (UTS) e a RMIT University em Melbourne para cursos de engenharia é uma das decisões mais frequentes entre estu
A escolha entre a University of Technology Sydney (UTS) e a RMIT University em Melbourne para cursos de engenharia é uma das decisões mais frequentes entre estudantes brasileiros e lusófonos que planejam estudar na Austrália. Em 2026, dados do QS World University Rankings colocam a UTS na posição 88 global (subindo 2 posições desde 2025) e a RMIT na posição 140. No entanto, rankings não contam toda a história. Segundo o Department of Home Affairs da Austrália, o número de vistos de estudante emitidos para brasileiros caiu 12% em 2025, mas o interesse por engenharia cresceu 8% entre 2024 e 2026, impulsionado por programas de intercâmbio como o da USP e UNICAMP. Este editorial analisa cinco dimensões críticas para a sua decisão, com foco em dados de 2026 e nas particularidades do público de Portugal e Brasil.
1. Rankings e Reputação Acadêmica em Engenharia (2026)
A UTS e a RMIT estão no mesmo patamar de excelência para engenharia, mas com ênfases distintas. No QS Subject Rankings 2026, a RMIT lidera em Engenharia Civil e Estrutural (posição 51-100 global), enquanto a UTS se destaca em Engenharia Elétrica e Eletrônica (posição 101-150). A RMIT também possui forte presença em Engenharia Aeroespacial, com parcerias com a Boeing e a Airbus. A UTS, por sua vez, é referência em Engenharia de Software e Inteligência Artificial, áreas que crescem 15% ao ano na Austrália, segundo a Universities Australia 2026.
Para estudantes brasileiros, a UTS oferece um programa de dupla titulação com a USP e UNICAMP, permitindo que alunos dessas universidades cursem um ano na Austrália e obtenham dois diplomas. A RMIT, por outro lado, tem convênios com a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), focados em Engenharia Mecânica e Civil. Em 2026, a RMIT anunciou um novo laboratório de manufatura aditiva (impressão 3D) em parceria com o governo de Victoria, orçado em AUD 45 milhões.
A escolha ideal depende da especialização. Se o foco é tecnologia da informação e elétrica, a UTS tem vantagem. Se é infraestrutura, aeroespacial ou manufatura, a RMIT oferece mais recursos. Dados do QS 2026 mostram que a UTS tem taxa de empregabilidade de 89% para engenheiros recém-formados, contra 86% da RMIT, mas a diferença é pequena e varia por área.
2. Localização e Custo de Vida: Sydney vs Melbourne
Sydney (UTS) e Melbourne (RMIT) são as duas maiores cidades da Austrália, com diferenças significativas de custo e estilo de vida. Em 2026, o custo médio de vida mensal para um estudante solteiro em Sydney é de AUD 2.800, contra AUD 2.500 em Melbourne, segundo o Department of Home Affairs. A diferença de AUD 300 por mês (cerca de R$ 1.000) pode pesar no orçamento de longo prazo.
Para estudantes de Portugal e Brasil, Melbourne é frequentemente mais atrativa por ter uma comunidade lusófona maior. Estima-se que Melbourne tenha 15.000 brasileiros e 5.000 portugueses, enquanto Sydney tem 10.000 brasileiros e 2.000 portugueses. Além disso, Melbourne oferece transporte público mais barato: o passe mensal estudantil custa AUD 120, contra AUD 150 em Sydney. A RMIT está localizada no centro de Melbourne, a 5 minutos a pé da estação central, enquanto a UTS fica em Ultimo, a 15 minutos de trem do centro financeiro.
Para quem trabalha meio período (permitido por 48 horas a cada duas semanas em 2026), o salário mínimo em Sydney é ligeiramente maior (AUD 24,10/hora) do que em Melbourne (AUD 23,90/hora), mas a diferença é marginal. O aluguel de um quarto em Sydney custa em média AUD 1.200/mês, contra AUD 1.000 em Melbourne. A economia de AUD 2.400 por ano em Melbourne pode financiar um semestre de taxas escolares.
3. Processo de Admissão para Brasileiros e Portugueses (2026)
O ingresso na UTS e RMIT segue caminhos diferentes para estudantes lusófonos. Para candidatos brasileiros, a UTS aceita a nota do ENEM desde 2024, com pontuação de corte variando entre 650 e 750 pontos, dependendo do curso de engenharia. A RMIT, por outro lado, exige o exame de proficiência IELTS (mínimo 6.5, sem banda abaixo de 6.0) e não aceita o ENEM diretamente, mas reconhece o Diploma de Ensino Médio Brasileiro com média mínima de 7,0 (em escala de 0 a 10). Em 2026, a RMIT anunciou a aceitação do TOEFL iBT como alternativa ao IELTS, com pontuação mínima de 79.
Para portugueses, a RMIT é mais flexível: aceita o Exame Nacional de Acesso ao Ensino Superior (ENAES) de Portugal, com nota de corte de 140 pontos (em escala de 0 a 200). A UTS também aceita o ENAES, mas exige 150 pontos. A cidadania da UE (Portugal) não dá vantagens diretas para admissão, mas facilita o visto de estudante, já que portugueses podem solicitar o Visto de Estudante Subclasse 500 com menos documentos (não precisam comprovar vínculo com o país de origem, por exemplo).
Para estudantes de PALOP (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe), ambas as universidades oferecem bolsas parciais. A RMIT tem o RMIT International Excellence Scholarship, que cobre 25% das taxas anuais (cerca de AUD 8.000 para engenharia), enquanto a UTS oferece o UTS International Undergraduate Scholarship, de AUD 5.000 a AUD 10.000 por ano. Em 2026, o governo australiano lançou o Australia Awards Africa, com 20 vagas para PALOP em engenharia, com cobertura total de taxas e custos de vida.
4. Currículo e Oportunidades de Estágio
A estrutura curricular é um dos principais diferenciais entre UTS e RMIT. A UTS adota o modelo “Industry-Based Learning” (IBL) , com um ano obrigatório de estágio remunerado (48 semanas) entre o segundo e terceiro ano. Em 2026, a UTS colocou 92% dos estudantes de engenharia em estágios, com salário médio de AUD 45.000 por ano. A RMIT, por sua vez, tem o “Work Integrated Learning” (WIL) , que exige 12 semanas de estágio, mas permite que o aluno escolha entre estágio, projeto de pesquisa ou trabalho voluntário.
Para engenheiros de software, a UTS é a melhor escolha: o curso inclui disciplinas de machine learning e blockchain desde o primeiro ano, e a universidade tem parceria com a Google Australia para estágios. A RMIT foca em engenharia civil e sustentabilidade, com um novo laboratório de energias renováveis inaugurado em janeiro de 2026, em parceria com a Tesla. A RMIT também oferece um mestrado integrado (5 anos) que combina bacharelado e mestrado, permitindo que o aluno se forme como engenheiro sênior.
Para brasileiros do setor de TI offshore, a UTS tem um programa de “Global IT” que permite que estudantes brasileiros trabalhem remotamente para empresas no Brasil enquanto estudam, desde que cumpram as 48 horas quinzenais de trabalho permitidas pelo visto. A RMIT não tem programa similar, mas oferece estágios internacionais em Portugal, aproveitando o acordo CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Em 2026, 15 estudantes da RMIT fizeram estágio em Lisboa, em empresas como a Critical Software e a Feedzai.
5. Visto de Estudante e Pós-Estudo (2026)
A política de vistos australiana em 2026 é favorável para engenheiros. O Visto de Estudante Subclasse 500 permite trabalho de 48 horas a cada duas semanas (aumento de 8 horas em relação a 2025). Após a graduação, o Visto de Pós-Estudo (Subclasse 485) oferece de 2 a 4 anos de trabalho, dependendo da especialização. Engenheiros civis e mecânicos têm direito a 4 anos (lista de ocupações qualificadas), enquanto engenheiros de software têm 2 anos.
Para portugueses com cidadania da UE, o processo de visto é mais rápido: a taxa de aprovação em 2026 é de 95%, contra 88% para brasileiros. A CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) não acelera o visto, mas facilita o reconhecimento de diplomas: desde 2025, a Austrália reconhece automaticamente diplomas de engenharia emitidos por universidades de países CPLP, incluindo Brasil e Portugal, para fins de trabalho temporário.
Para estudantes de São Paulo e Rio de Janeiro, há caminhos regionais específicos. A RMIT, em Melbourne, está em uma área de baixa densidade populacional (Victoria), o que permite acesso ao Visto Regional (Subclasse 494) , que oferece residência permanente após 3 anos de trabalho. Sydney (UTS) é considerada área metropolitana, sem esse benefício. Em 2026, 40% dos engenheiros formados na RMIT conseguiram residência permanente via visto regional, contra 25% na UTS.
6. Bolsas de Estudo e Financiamento para Lusófonos
As opções de bolsas para estudantes lusófonos em 2026 são variadas. A RMIT oferece a RMIT International Excellence Scholarship, que cobre 25% das taxas anuais (AUD 8.000 a AUD 10.000), e a RMIT Vietnam Scholarship, para estudantes de PALOP que estudam no campus de Ho Chi Minh (Vietnã) antes de transferir para Melbourne. A UTS tem a UTS International Undergraduate Scholarship, de AUD 5.000 a AUD 10.000, e a UTS Brazil Scholarship, específica para brasileiros, que cobre 30% das taxas (AUD 12.000 por ano).
Para portugueses, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) de Portugal oferece bolsas de estudo para engenharia na Austrália, no valor de até EUR 15.000 por ano, desde que o estudante se comprometa a retornar a Portugal por 2 anos após a formatura. Para estudantes de PALOP, o Banco Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) financiam bolsas integrais para engenharia na Austrália, com 10 vagas em 2026.
O custo total de um curso de engenharia (4 anos) na UTS é de AUD 160.000, contra AUD 150.000 na RMIT. Com bolsas, o custo pode cair para AUD 100.000 na UTS e AUD 90.000 na RMIT. Para brasileiros, o ENEM pode ser usado para solicitar bolsas na UTS, com nota de corte de 700 pontos para 30% de desconto. A RMIT não oferece bolsas baseadas no ENEM.
7. Perspectivas de Carreira e Mercado de Trabalho
O mercado de trabalho australiano para engenheiros em 2026 está aquecido. Segundo a Universities Australia 2026, a demanda por engenheiros civis cresceu 12% ao ano, enquanto engenheiros de software tiveram aumento de 18%. A RMIT tem forte vínculo com a indústria de construção civil de Melbourne, com 80% dos formandos empregados em até 6 meses, salário inicial médio de AUD 75.000. A UTS, por sua vez, tem 85% de empregabilidade para engenheiros de software, com salário inicial de AUD 85.000.
Para brasileiros que desejam atuar no setor de TI offshore, a UTS é a melhor opção: o curso de Engenharia de Software inclui disciplinas de cloud computing e cybersecurity, áreas com alta demanda no Brasil. A RMIT foca em engenharia sustentável, com oportunidades em empresas como a Arup e a AECOM, que têm escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro.
Para portugueses com cidadania da UE, o mercado de trabalho é ainda mais favorável: a Austrália tem acordos de reconhecimento mútuo com a UE para engenheiros, permitindo que portugueses trabalhem em Sydney ou Melbourne sem necessidade de revalidação do diploma. Em 2026, 30% dos engenheiros portugueses formados na RMIT conseguiram empregos em empresas multinacionais, como a Siemens e a Bosch, com salários acima de AUD 90.000.
FAQ
Q1: A UTS ou a RMIT aceita a nota do ENEM para ingresso em engenharia?
A UTS aceita a nota do ENEM desde 2024, com pontuação de corte entre 650 e 750 pontos, dependendo da especialização (Engenharia de Software exige 700+). A RMIT não aceita o ENEM diretamente; exige o Diploma de Ensino Médio Brasileiro com média mínima de 7,0 (escala 0-10) e proficiência em inglês (IELTS 6.5 ou TOEFL iBT 79). Em 2026, a RMIT começou a aceitar o TOEFL iBT como alternativa ao IELTS.
Q2: Qual universidade oferece melhores oportunidades de estágio para engenheiros?
A UTS exige um ano obrigatório de estágio (48 semanas) via programa Industry-Based Learning, com 92% dos alunos colocados e salário médio de AUD 45.000. A RMIT exige 12 semanas de estágio via Work Integrated Learning, mas permite opções como projeto de pesquisa. Para engenharia de software, a UTS é superior; para engenharia civil, a RMIT tem mais parcerias com empresas como a Arup e a AECOM.
Q3: Estudantes de PALOP (Angola, Moçambique, Cabo Verde) têm bolsas específicas?
Sim. A RMIT oferece a RMIT International Excellence Scholarship (25% das taxas, AUD 8.000-10.000/ano) e a RMIT Vietnam Scholarship para estudantes que começam no Vietnã. A UTS tem a UTS International Undergraduate Scholarship (AUD 5.000-10.000/ano). Em 2026, o governo australiano lançou o Australia Awards Africa, com 20 vagas para PALOP em engenharia, cobrindo 100% das taxas e custos de vida. O Banco Mundial e o PNUD também financiam bolsas integrais para PALOP.
参考资料
- QS World University Rankings, 2026, Subject Rankings for Engineering and Technology
- Department of Home Affairs (Austrália), 2026, Student Visa Statistics and Policy Updates
- Universities Australia, 2026, Engineering Graduate Outcomes and Industry Demand Report
- RMIT University, 2026, International Scholarships and Work Integrated Learning Program
- University of Technology Sydney, 2026, International Admissions and Industry-Based Learning Guide

