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2026-05-21 · Nathan Hartley

Visto 590 Austrália: Guia Completo para Estudantes Lusófonos em 2026

Em 2026, o número de estudantes brasileiros na Austrália ultrapassou 42.000, um aumento de 18% em relação a 2025, segundo o Department of Home Affairs. Paralela

Em 2026, o número de estudantes brasileiros na Austrália ultrapassou 42.000, um aumento de 18% em relação a 2025, segundo o Department of Home Affairs. Paralelamente, a QS World University Rankings 2026 colocou sete universidades australianas entre as 100 melhores do mundo, consolidando o país como um dos principais destinos acadêmicos globais. Para estudantes de Portugal, Brasil e PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), o visto 590 — oficialmente chamado de Student Guardian Visa (Subclass 590) — é a porta de entrada para acompanhar menores de idade em programas educacionais na Austrália. Este artigo analisa os requisitos, custos e estratégias específicas para o público lusófono, com dados atualizados de 2026.

O que é o Visto 590 Austrália e Quem Pode Solicitar?

O visto 590 é um documento temporário que permite que pais ou responsáveis legais acompanhem estudantes menores de 18 anos matriculados em cursos australianos. Diferente do visto de estudante (Subclass 500), o 590 não autoriza trabalho remunerado — o titular pode estudar por até três meses, mas não pode trabalhar formalmente. Em 2026, o governo australiano manteve a exigência de que o solicitante comprove vínculo direto com o menor, seja como pai, mãe ou tutor legal nomeado por tribunal.

Para o público lusófono, a principal vantagem é que a Austrália reconhece documentos de países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) para fins de tutela, desde que traduzidos por tradutor juramentado. Estudantes de Portugal, por exemplo, têm a vantagem adicional da cidadania europeia, que simplifica processos de comprovação de recursos financeiros (não exigem visto prévio para turismo, por exemplo). Já brasileiros de São Paulo e Rio de Janeiro podem usar o ENEM como pontuação alternativa para ingresso em universidades australianas, o que reduz a necessidade de exames como IELTS ou TOEFL em alguns casos.

Os requisitos básicos incluem: idade mínima de 21 anos, comprovação de tutela legal, seguro saúde (Overseas Visitor Health Cover — OVHC) válido por toda a estadia, e demonstração de recursos financeiros para cobrir custos de vida (estimados em AUD 29.710 por ano para 2026, segundo o Department of Home Affairs). O visto é emitido por até dois anos, renovável enquanto o estudante menor estiver matriculado.

Requisitos Financeiros e Comprovação de Renda para Lusófonos

Em 2026, o governo australiano exige que o titular do visto 590 comprove renda suficiente para cobrir as despesas do responsável e do estudante menor. O valor mínimo é de AUD 29.710 por ano para o responsável, mais AUD 10.000 para o menor (se aplicável), totalizando cerca de AUD 39.710 anuais. Para famílias com dois filhos, o adicional é de AUD 5.000 por criança extra. Esses números são baseados no custo de vida oficial divulgado pelo Department of Home Affairs em janeiro de 2026.

Para brasileiros, a comprovação pode ser feita com extratos bancários dos últimos seis meses, declaração de Imposto de Renda (IRPF) ou comprovantes de renda de trabalho autônomo. Uma estratégia comum entre estudantes de São Paulo e Rio de Janeiro é usar o ENEM como atalho: universidades como a University of Sydney e a University of Melbourne aceitam notas do ENEM acima de 600 pontos para ingresso direto, eliminando a necessidade de cursos preparatórios caros. Isso reduz o custo total do plano de estudos, já que o estudante menor pode começar o curso mais cedo.

Portugueses com cidadania europeia têm vantagens adicionais: não precisam de visto de turista para visitar a Austrália antes da solicitação, e o histórico bancário da União Europeia é aceito sem necessidade de tradução juramentada em muitos casos. Para PALOP, como Angola e Moçambique, o governo australiano reconhece bolsas de estudo governamentais (como o Programa de Bolsas de Estudo do Governo de Angola) como comprovação de renda, desde que o valor seja equivalente ao exigido. A recomendação é contratar um contador australiano registrado (CPA) para preparar a documentação, evitando erros que podem atrasar o processo.

Processo de Solicitação e Documentação Específica

O processo para o visto 590 começa com a inscrição do estudante menor em um curso registrado no CRICOS (Commonwealth Register of Institutions and Courses for Overseas Students). Em 2026, o tempo médio de processamento é de 4 a 6 semanas para solicitações completas, mas pode levar até 12 semanas em casos complexos. A taxa de solicitação é de AUD 1.600 (aproximadamente R$ 5.200 ou € 900), com possibilidade de reembolso parcial se o visto for negado (apenas em casos específicos de erro do governo).

Para brasileiros, a documentação deve incluir: certidão de nascimento do menor (traduzida e registrada em cartório), comprovante de matrícula na instituição australiana, seguro OVHC (custo médio de AUD 1.200 a AUD 2.000 por ano, dependendo da cobertura), e declaração de tutela assinada pelo outro genitor (se aplicável). Estudantes de Portugal podem usar o Cartão de Cidadão como documento de identidade, sem necessidade de passaporte separado em alguns casos. Para PALOP, o governo australiano aceita documentos emitidos pela embaixada local, mas a tradução juramentada é obrigatória.

Um erro comum é não declarar viagens anteriores para países com exigência de visto, como Estados Unidos ou Reino Unido. O formulário online (ImmiAccount) exige o histórico de viagens dos últimos 10 anos, e omissões podem levar à recusa automática. Para lusófonos com múltiplos vistos de turista (comuns em brasileiros que visitam a Europa), é crucial listar todos. A dica é usar o serviço de consultoria jurídica gratuita oferecido por algumas universidades australianas, como a University of Queensland, que tem um centro de apoio a estudantes internacionais.

Custos de Vida e Moradia para Responsáveis e Estudantes

O custo de vida na Austrália varia significativamente por cidade. Em 2026, Sydney é a mais cara, com aluguel médio de AUD 2.500 por mês para um apartamento de um quarto no centro, seguida por Melbourne (AUD 2.200) e Brisbane (AUD 1.800). Para um responsável e um estudante menor, o orçamento mensal típico é de AUD 4.500 a AUD 6.000, incluindo aluguel, alimentação, transporte e seguro.

Para lusófonos, há opções de moradia compartilhada em bairros com comunidades brasileiras ou portuguesas, como Surry Hills (Sydney) e Fitzroy (Melbourne). O aluguel por quarto pode cair para AUD 1.200 a AUD 1.500 por mês. Estudantes de São Paulo e Rio de Janeiro podem usar o ENEM como vantagem: universidades como a University of Technology Sydney (UTS) oferecem descontos de até 20% na mensalidade para alunos com notas altas no ENEM, reduzindo o custo total do programa.

Para PALOP, bolsas governamentais (como as do Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo de Angola) cobrem parcialmente os custos de vida, mas o responsável precisa complementar com recursos próprios. A dica é abrir uma conta bancária australiana antes da viagem (bancos como Commonwealth Bank e Westpac permitem abertura remota para estrangeiros) e transferir fundos via Wise ou Remitly para evitar taxas cambiais altas. O custo com alimentação para duas pessoas é de AUD 800 a AUD 1.200 por mês, variando conforme a dieta (produtos brasileiros como feijão e arroz são encontrados em mercados étnicos, mas custam 30% a mais que na origem).

Estratégias para Brasileiros: ENEM e Programas de Intercâmbio

Brasileiros têm uma vantagem única: o ENEM é aceito por mais de 20 universidades australianas em 2026, incluindo a University of Sydney, University of Melbourne e University of New South Wales (UNSW). A nota mínima exigida varia de 600 a 700 pontos (em uma escala de 0 a 1000), dependendo do curso. Para engenharia e medicina, a concorrência é maior, com notas acima de 750 pontos. Isso elimina a necessidade de IELTS ou TOEFL em muitos casos, economizando tempo e dinheiro (cerca de R$ 1.500 em taxas de exame).

Além disso, programas de intercâmbio entre universidades brasileiras e australianas estão em expansão. A USP (Universidade de São Paulo) e a UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) têm acordos diretos com a University of Queensland e a Monash University para intercâmbio de um semestre, com isenção de taxas de matrícula. Estudantes de São Paulo e Rio de Janeiro podem usar esses programas para testar a experiência antes de solicitar o visto 590 para um filho menor.

Para o setor de TI, a Austrália é um destino estratégico: o país tem déficit de profissionais de tecnologia, e brasileiros com experiência em offshore (como desenvolvimento de software para empresas australianas) podem usar o visto 590 como ponte para futuras oportunidades de trabalho (embora o visto não permita trabalho, o estudante menor pode, ao completar 18 anos, solicitar um visto de trabalho independente). Empresas como a Atlassian (fundada na Austrália) contratam desenvolvedores brasileiros remotamente, e o visto 590 permite que a família se mude enquanto o menor estuda.

Vantagens para Portugueses: Cidadania Europeia e Reconhecimento de Documentos

Portugueses têm o caminho mais facilitado para o visto 590 devido à cidadania europeia. Em 2026, a Austrália mantém acordos bilaterais com Portugal que simplificam a comprovação de recursos: não é necessário apresentar extratos bancários dos últimos 12 meses (apenas 3 meses para cidadãos da UE). Além disso, o Cartão de Cidadão português é aceito como documento de identidade para a solicitação, sem necessidade de passaporte separado.

Outra vantagem é que Portugal está na lista de países com isenção de visto para turismo na Austrália (até 90 dias), o que permite que os responsáveis visitem o país antes da solicitação para conhecer escolas e bairros. Para estudantes portugueses que desejam cursar o ensino médio na Austrália, o governo australiano reconhece o diploma do ensino secundário português (equivalente ao Year 12) sem necessidade de exames adicionais, desde que traduzido por tradutor juramentado.

Para PALOP, a situação é mais complexa: embora a CPLP facilite o reconhecimento de documentos, a Austrália exige tradução juramentada para todos os documentos de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. A dica é usar o serviço de tradução da Embaixada da Austrália em Brasília (para brasileiros) ou da Embaixada de Portugal em Camberra (para portugueses). Além disso, bolsas governamentais da PALOP (como as do Instituto de Bolsas de Estudo de Moçambique) são aceitas como comprovação de renda, mas o valor precisa ser equivalente ao exigido (AUD 39.710 anuais).

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FAQ sobre o Visto 590 Austrália

Q1: Qual é o custo total para solicitar o visto 590 em 2026?

Resposta: A taxa de solicitação é de AUD 1.600 (aproximadamente R$ 5.200 ou € 900), não reembolsável na maioria dos casos. Além disso, é obrigatório contratar o seguro OVHC, que custa entre AUD 1.200 e AUD 2.000 por ano. O custo total inicial (taxa + seguro) fica entre AUD 2.800 e AUD 3.600. O processamento leva de 4 a 6 semanas para solicitações completas, mas pode chegar a 12 semanas em casos complexos. Para 2026, o governo australiano manteve essas taxas sem reajuste em relação a 2025.

Q2: Brasileiros podem usar o ENEM para substituir o IELTS no visto 590?

Resposta: Sim, mas apenas para a matrícula do estudante menor em universidades que aceitam o ENEM. O visto 590 não exige proficiência em inglês do responsável (apenas do estudante menor, se aplicável). Para brasileiros, mais de 20 universidades australianas aceitam notas do ENEM acima de 600 pontos como prova de proficiência, eliminando a necessidade de IELTS. Em 2026, a University of Sydney exige nota mínima de 650 pontos para cursos de humanas e 700 para engenharia. O ENEM é válido por até 5 anos após a realização da prova.

Q3: Portugueses têm vantagens específicas no processo do visto 590?

Resposta: Sim, devido à cidadania europeia. Portugueses não precisam de visto de turista para visitar a Austrália antes da solicitação (isenção de 90 dias). A comprovação de recursos financeiros exige apenas extratos dos últimos 3 meses (contra 6 meses para brasileiros). O Cartão de Cidadão português é aceito como documento de identidade. Além disso, o diploma do ensino secundário português é reconhecido como equivalente ao Year 12 australiano, facilitando a matrícula do menor. Em 2026, o governo australiano manteve esses acordos bilaterais com Portugal.

参考资料

  • Department of Home Affairs, 2026, Student Guardian Visa (Subclass 590) — Policy and Processing Times
  • QS Quacquarelli Symonds, 2026, QS World University Rankings 2026 — Australian University Rankings
  • Universities Australia, 2026, International Student Data Summary 2026 — Brazilian and Portuguese Student Numbers
  • Australian Government Department of Education, 2026, CRICOS Registered Courses and Institutions — Updated List
  • Embassy of Australia in Brasília, 2026, Document Requirements for Brazilian and PALOP Applicants — Official Guidelines

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